É quem diria, as férias estão acabando, mas depois de tanto tempo deixado de lado o blog finalmente pode respirar o ar fresco de uma postagem nova. Depois de tanto viajar para lugares sem internet eu resolvi inaugurar o período letivo com esse singelo poema que tentei escrever, trazendo um pouco das férias. Espero que vocês gostem, confesso que não foi dos melhores que já escrevi (até agora num achei um maldito título que agradasse), mas pelo menos a mensagem deve ser levada a sério hehe
obs: tem até a imagem que me inspirou a fazer o poema (sim é uma praia que eu fui :):):), pena que a inspiração não durou até hoje e o poema tenha ficado um pouquinho grande, mas acho que valeu a tentativa, afinal de contas, "tudo vale a pena se a alma não é pequena"
Assim (des)caminha a humanidade...
Uma linha
um horizonte
a imensidão que se mescla,
de um lado a epopéia da vida
correndo por entre as ondas
em seu ciclo infinito,
do outro a cor pulsante
entre a leveza das nuvens
anunciando a intensidade do sol
o pedaço de uma obra-prima
Eis que em uma linha
toda a mágica acontece,
ondas e nuvens
se encontram
num tênue toque,
como que de uma seda,
tecida ao capricho da natureza
o sol não fica pra tras,
e numa pincelada
lança ao mar o seu rastro,
um devaneio surrealista,
cuja sutileza se escondia
por detrás do ópio
relaxante e viciante
que era a paisagem
e do lado de cá,
o singelo monte
que como um suspiro
da terra,
se erguia,
em meio a imensidão
sufocante do oceano,
era o palco da cena
que se armava...
e sobre o monte,
nada mais,
nada menos,
que uma massa de pessoas,
de todos os cantos do mundo,
ludibriadas com aquele ópio,
que no mais democrático dos espíritos
deixava todos simplesmente parados,
como que num minuto de silêncio,
um minuto em que toda a beleza da vida
se traduzira ali...
mas eis que a cena ocorre,
e sobre o palco que se armara
todos aqueles indivíduos,
tão hipnotizados pela magia
tão ludibriados pela perfeição
tão viciados por aquela droga,
simplesmente saudavam o sol,
saudavam a despedida,
daquele artista
que fazia parte da própria arte
em seus devaneios de surrealismo..
diante da cena que se passava,
meus olhos só conseguiam ver
toneladas de lixo,
toneladas de poluição,
toneladas de extinções
e de descaso,
todos lançados contra a natureza,
num ato quase que épico de egoismo...
mas não,
todas aquelas toneladas
sequer moveram a balança
que rege a consciência
daqueles que saudam sem pensar..
que saudam aquele
cujas pinceladas
traduzem seu grito de socorro,
grito sublime,
em meio a tanta beleza,
mas que, ainda assim
não salva a humanidade,
pois quem saúda
o que ainda não destruiu,
só pode levar em seu caminho
o peso da hipocrisia,
o que certamente,
não é o melhor guia
nos descaminhos da existência...