sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Palavras desapercebidas...

Diante do papel,
sentado na escrivaninha
um mundo de pensamento fugazes
girando na mente,
enquanto uma imagem
lá tão distante,
balança os alicerces,
de um mundo a cair...

um olhar que reluz,
e se quer distante,
tão quanto próximo e errante,
palavras que destoam
o tom sereno da vida,
só para lembrar,
que quanto mais provocante o sonho,
maior a vontade de sonhar!

O malditas sensações!
de inoportunismo latente,
enquanto o esforço do escritor
se esvai diante do papel
à procura da almejada síntese...

mas...

qual sonho?
qual arte?
qual estética há de se sintetizar?
se as palavras a serem ditas
não mais que passaram desapercebidas...

muitas perguntas,
para uma certeza,
que a mais amarga das dores
já morreu arrependida!
deixando então o escritor
diante de sua maior sina...

poder ver a imagem que mais procura,
mais almeja, mais lhe provoca,
sem contudo poder dizer
as palavras que outrora
passaram desapercebidas!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Blog não morreu!!

Sim é isso mesmo que vocês leram, apesar do infeliz e inesperado abandono por quase um semestre o blog continua vivo!O motivo pra tanto tempo sem post num precisa nem falar, a incrível combinação de toneladas de textos por semana mais atividades de bolsista e, é claro, os inesquecíveis fichamentos. Não é por menos que nestas (pseudo)férias o único tema que me passou pela cabeça foi o tempo, sempre uma incognita, sempre fazendo a gente pensar um pouco sobre a vida...

Uma incógnita...infinita

tempo
que vai
e se esvai
pulsando na vida
daqueles que
quanto mais acham
menos tem

tempo
que corre
tempo
que passa
tempo
que se faz breve
enquanto eterno
na cabeça de quem vive
o amanhã

tempo
que na leveza de um suspiro
se faz eterno
enquanto breve
como os deleites da vida
haverão de ser sempre

Enfim,
dessa vida
(bem ou mal) vivida
são poucas as coisas tão presentes
como essa incógnita infinita

mas...
e quando a rotina se confunde com a vida
a percepção
com uma mera repetição,
as tarefas, os horários,
os prazos...
tudo
consome
some
a hora
do poeta
que se esvai....

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


É quem diria, as férias estão acabando, mas depois de tanto tempo deixado de lado o blog finalmente pode respirar o ar fresco de uma postagem nova. Depois de tanto viajar para lugares sem internet eu resolvi inaugurar o período letivo com esse singelo poema que tentei escrever, trazendo um pouco das férias. Espero que vocês gostem, confesso que não foi dos melhores que já escrevi (até agora num achei um maldito título que agradasse), mas pelo menos a mensagem deve ser levada a sério hehe
obs: tem até a imagem que me inspirou a fazer o poema (sim é uma praia que eu fui :):):), pena que a inspiração não durou até hoje e o poema tenha ficado um pouquinho grande, mas acho que valeu a tentativa, afinal de contas, "tudo vale a pena se a alma não é pequena"


Assim (des)caminha a humanidade...


Uma linha
um horizonte
a imensidão que se mescla,
de um lado a epopéia da vida
correndo por entre as ondas
em seu ciclo infinito,
do outro a cor pulsante
entre a leveza das nuvens
anunciando a intensidade do sol
o pedaço de uma obra-prima

Eis que em uma linha
toda a mágica acontece,
ondas e nuvens
se encontram
num tênue toque,
como que de uma seda,
tecida ao capricho da natureza
o sol não fica pra tras,
e numa pincelada
lança ao mar o seu rastro,
um devaneio surrealista,
cuja sutileza se escondia
por detrás do ópio
relaxante e viciante
que era a paisagem

e do lado de cá,
o singelo monte
que como um suspiro
da terra,
se erguia,
em meio a imensidão
sufocante do oceano,
era o palco da cena
que se armava...

e sobre o monte,
nada mais,
nada menos,
que uma massa de pessoas,
de todos os cantos do mundo,
ludibriadas com aquele ópio,
que no mais democrático dos espíritos
deixava todos simplesmente parados,
como que num minuto de silêncio,
um minuto em que toda a beleza da vida
se traduzira ali...

mas eis que a cena ocorre,
e sobre o palco que se armara
todos aqueles indivíduos,
tão hipnotizados pela magia
tão ludibriados pela perfeição
tão viciados por aquela droga,
simplesmente saudavam o sol,
saudavam a despedida,
daquele artista
que fazia parte da própria arte
em seus devaneios de surrealismo..

diante da cena que se passava,
meus olhos só conseguiam ver
toneladas de lixo,
toneladas de poluição,
toneladas de extinções
e de descaso,
todos lançados contra a natureza,
num ato quase que épico de egoismo...

mas não,
todas aquelas toneladas
sequer moveram a balança
que rege a consciência
daqueles que saudam sem pensar..
que saudam aquele
cujas pinceladas
traduzem seu grito de socorro,
grito sublime,
em meio a tanta beleza,
mas que, ainda assim
não salva a humanidade,
pois quem saúda
o que ainda não destruiu,
só pode levar em seu caminho
o peso da hipocrisia,
o que certamente,
não é o melhor guia
nos descaminhos da existência...



sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Um homem e sua inspiração!

Era manhã de quarta-feira, o tempo parecia que ia melhorar, a chuva que caíra por toda a noite finalmente havia cedido e no céu ficaram algumas poucas nuvens, que apesar de tudo nem estavam tão feias. Era o último dia do ano e o tempo não importava, afinal de contas, com ou sem a chuva era reveilon, com ou sem as nuvens cinzentas em seus tons "deprês" era tudo festa. Enfim, era mais um ano que caminhava para o seu fim derradeiro destinado a ficar enterrado na história, como que um fardo que acompanha todos os anos que se passam.
Me lembro de ter acabado de acordar, e na minha cabeça só sopravam as palavras reveilon e festa/ festa e reveilon, como que um dueto destinado a cantar junto por toda a eternidade na cabeça daqueles que, como eu, enxergam na virada do ano um ritual de agradecimento, comemoração e é claro esperança para os obstáculos que virão. Estava tudo tranquilo, as nuvens cinzentas pareciam mero detalhe no céu e minhas preocupações se resumiam em tomar o café da manhã e escolher para qual lugar iria para comemorar a almejada "virada". Mas ai, quando tudo parecia estar tão bem, o telefone toca , minha avó atende e, quem diria, um mísero telefonema, como os outros tantos que se faz nas férias para falar sobre viagens (meus pais tinham viajado a dois dias para uma fazenda) foi o responsável por levar minhas preocupações a um outro nível, nível este que não desejo que ninguém experimente.
Então, ao ver minha avó desligar o telefone e dizer " seu avô está com cancêr" (quem disse isso foi minha avó materna, meu avô paterno que tem câncer) a sensação que tive foi que, por um instante, o mundo parou. Todas as palavras, expectativas e sensações que se remetiam à festiva data simplesmente foram embora, o dueto que antes cantava soberano e imponente havia ficado mudo, simplesmente isolado naquela parte da cabeça pra onde vão todos os pensamentos que, subitamente, caem para segundo plano. Sob meus olhos caiu um peso infinito, o peso de um fardo que faz poucos milímetros de lágrimas se tornarem maiores que as mais grandiosas quedas d´agua conhecidas pelo homem. Na garganta veio a sensação amarga e aspera de algo que nunca se quer, nunca se pensa, mas enfim terá que ser engolido.
Medo, pena, decepção, eram essas as sensações que substituíam minhas ansiedades festivas, e quando me dei conta as nuvens cinzentas que outrora eram mero detalhe no céu agora estavam no pior tom que, mesmo um daltônico como eu pode ver. Tom este de quando nos vemos diante dos nossos medos mais inconscientes, como o medo de que a idéia de "fim" esteja muito mais próxima de se tornar real do que esperamos (e como que por irônia do destino esse medo me aparece logo no fim do ano!).
Mas então meus caros leitores, todas essas inúmeras sensações que me passaram pela cabeça duraram, como já disse antes, um "instante", e logo o mundo começou a se movimentar novamente. E ao me dar conta que o mundo continuava a girar, me veio uma sensação estranha, diferente, como que um peso na consciência, pois no fundo o que mais me doía era a possibilidade de simplesmente não poder agradecer ao meu avô por tudo que ele me fez. Para explicar melhor o que quero dizer, vou contar-lhes uma breve história deste herói o qual tenho orgulho de chamar de avô.
Sua história eu não sei por completo, ele nunca teve tempo para me contar tudo, mas o que aparece nas linhas que se seguem é fiel à grandiosa vida deste homem , ainda que seja pouco.
Ele veio do interior (de uma pequena cidade chamada Bom Despacho) para BH, aos dezessete anos e chegando na grande cidade comprou um jornal e folheou à procura de emprego. Conseguiu então trabalhar numa farmácia, não sei ao certo se ele tinha algum parente ou conhecido na cidade, sei apenas que com seu emprego de atendente numa farmácia ele fez da quinta a oitava série em um ano, e logo após cursou o ensino médio também intensivo (não sei ao certo em quanto tempo). Mas não, ele não queria parar por ai, e logo prestou vestibular e conseguiu entrar para a faculdade de Direito da UFMG. Além de um jovem sonhador que conseguiu se tornar advogado, meu avô criou seus 9 filhos na capital , dando a eles educação nos melhores colégios da cidade, o que fez todos seus filhos ingressarem na universidade (7 deles estudaram em universidades federais, a maioria na própria UFMG). Além de um jovem batalhador e um excelente pai de família que deu aos filhos as melhores condições possiveis, ele sabe ser também um avô que não apenas incentiva, como também sabe inspirar seus netos.
Um exemplo de tamanha inspiração está no presente que ele me deu quando fiz dezoito anos, um presente incomum à maioria das pessoas, pois foi naquela data em que eu finalmente completava minha tão desejada maioridade que meu avô me entregou uma singela lista.... um lista que nunca vou esquecer na minha vida! A lista continha nada menos do que 40 livros de sua coleção pessoal, que ele disse serem meus a partir de então! Os títulos incluíam toda a obra de Jorge Amado, livros de literatura clássica (como Shakespeare e Cervantes) e diversos outros livros de pensadores famosos! Enfim, talvez apenas as pessoas que gostam de ler e escrever como eu possam ter noção do quanto é inspirador ter uma própria "coleção" de livros históricos dos mais famosos escritores! E somente poucos sortudos como eu podem ter o privilégio de ter um avô que muito mais que procurar agradar seus netos busca investir no sonho deles, depositando uma confiança que eu certamente nunca vou ter como agradecer!
Por isso, gostaria de terminar esse post com uma mensagem positiva, pois meu avô sempre foi um batalhador e um homem que soube inspirar seus filhos e netos, e agora que esse novo obstáculo aparece em sua vida eu tenho certeza que, como o herói que ele é e sempre foi, não lhe faltarão forças e muito menos pessoas para lhe fazer companhia nas horas difíceis. Até porque este neto que aqui vos escreve, mesmo que nunca seja um bom escritor, ou mesmo um bom jornalista, merece uma chance de mostrar ao seu avô como ele se tornou uma pessoa melhor simplesmente por acreditar que a vida só vale a pena ser vivida se você souber sonhar e correr atrás deste sonho!
E é claro, gostaria ainda de deixar minha menção e apoio à small, talvez só ela saiba como eu, no momento, como é essa sensação de ver um ente tão querido assim em uma situação tão complicada, que nós tenhamos muita fé e se deus quiser tudo vai dar certo viu! vou rezar por nos dois tenha certeza disso!